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ZEN
HANNYA
SHINGYÔ | SHO DO KA |
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ZEN
O
Zen nunca pode ser visto como meio ou como fim, estando para
além desses conceitos e volições, mas
não se pode negar seu valor no interior de um caminho
iniciático. Baliza, equilibra, relativiza as etapas
desse caminho, acalma a alma do iniciado, é como um
oásis que refresca de maneira profunda, essencial.
O iniciado, à maneira que progride, torna-se um ansioso,
sua imaginação torna-se fantasiosa, é
obnubilado pela profundidade e pela força numinosa
da destinação entrevista, intuída...
O Zen nos ensina como não é essa meta que é
tão importante existencialmente, mas sim esse percorrer,
o próprio caminho. Siga essa intuição!
Para além e acima de todo querer jaz uma serena ausência
de desejo e apego, um querer, não-querer, ir além
de querer e não-querer, apenas sentar e concentrar-se
no momento presente, no aqui e no agora, sem espírito
de lucro ou ganho (mushotoku). Com o tempo, mais claro
ficará para você como o mundo é um fluxo
de existências sem essência própria, como
a idéia de Ser é uma quimera, existindo apenas
um perpétuo Devir... Mas lembre-se: nunca espere nada
do zazen, pois ele não é uma atividade,
mas é a única atividade, sempre
existindo, percebamos ou não... O zazen é
o próprio Real, agora!
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SHIN JIN MEI - Poema da Fé no Zazen, por
Mestre Sozan (morto em 606)
(primeiras 10 linhas, versão Deshimaru)
O verdadeiro Caminho, a essência do Caminho, não
é difícil, mas não devemos gostar ou
escolher.
Se
não odiamos e nem amamos, o Caminho aparece clara e
distintamente, como a entrada de uma caverna na encosta da
montanha.
Se
cria-se uma diferença do tamanho de um átomo,
imediatamente uma distância infinita separa o céu
e a terra.
Para
realizar a iluminação aqui e agora, devemos
nos liberar da idéia do certo e do errado.
Quando
o certo e o errado se guerreiam, o espírito está
doente.
Se
não conhecemos a produndidade da origem, nossa consciência
se cansa.
O
verdadeiro Caminho é como o cosmos infinito, nada lhe
falta e nada lhe é supérfluo.
Dependentes
do ganho ou da perda, não somos livres.
Não
corramos atrás dos fenômenos, não nos
atardemos no vazio.
Se
nosso espírito mantém-se calmo, tranqüilo,
na sua condição original, ele desaparece naturalmente,
espontaneamente, como no sono.
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O
Zen nos remete à grande possibilidade desprezada que
foi Heráclito para o Ocidente, Heráclito o Obscuro
que acabou preterido em favor de Platão e Aristóteles,
grandes pensadores desse equívoco Ser e fundadores
do que veio a ser a nossa tradição filosófica
ocidental...
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A
compaixão. A verdadeira compaixão, não
a que vem de um sentimentalismo inconstante, advém
da percepção clara de que nosso Eu sou
está situado nesse determinado corpo (o nosso) pelo
que parece ser um capricho aleatório do destino. Não
parece haver nenhuma especial Justiça (cósmica
ou humana) nesse fato. No nível mais básico,
onde não entra a personalidade específica de
cada um, somos todos réplicas idênticas de um
mesmo Eu sou, de uma mesma presença. Presença
que não é nem especificamente humana...
A
constatação intelectual desse fato pode ser
banal, mas ele não é para ser aprendido dessa
forma. Mistura-te a uma multidão num grande centro
urbano e vivencie esse fato com cada fibra de teu ser,
vivencie como poderias ser cada uma dessas pessoas...
Poderias ser cada uma delas pois num nível profundo
és todas elas ao mesmo tempo, és uma
partícula desgarrada e profundamente alienada desse
universal Eu sou.
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A
seguinte estória trata de um ponto muito fino da prática.
Cabe a ti capturá-lo, pois a sua compreensão
tem conseqüências sutis qui se aplicarão
à tua vida de um modo geral. É Deshimaru que
a conta a nós, à sua maneira (L'Esprit du
Ch'an, ed. Albin Michel, pp. 49-50):
Yakusan
praticava zazen sozinho no dojo; seu mestre,
Sekito, entra, e lhe pergunta: "Que fazes?"
Ele responde: "Estou praticando o 'não fazer nada'".
- Então porquê estás sentado? pergunta
o Mestre. Sim, entendo, estás praticando o "não
fazer nada". Pois bem, então porquê "não
fazes nada"? Tu, Yakusan, tu dizes "eu não
faço nada". Mas o que é fazer alguma coisa,
o que é não fazer nada?"
Yakusan respondeu: "Mesmo dez mil sábios não
compreendem isso, Mestre. E nem o Buda compreende."
Após isso, o Mestre transmitiu o shiho a seu
discípulo.
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Se chegaste até aqui, leitor curioso, talvez te interesses pela seguinte indicação.
Enquanto que o Budismo e o Zen são um respeitável Caminho para as massas dotadas de uma moral de escravo, o Dao e o Daoismo são o respeitável e seleto Caminho de uma discreta elite dotada de uma moral senhorial.
São respectivamente o exoterismo e o esoterismo do Caminho Meditativo.
A Alquimia e sua Pedra ou Pílula são uma só em todo nosso planeta. As diferenças são devidas aos intrumentos externos ou internos. Há uma transição natural das técnicas externas para as internas. Quanto mais antiga e contínua uma civilização, mais clara é essa percepção.
Se for o teu Destino, busque essa Virtude e esse Caminho.
Lü Tung-Pin
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Os Oito Imortais
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Meditação Transcendental. Ela pode ser sentida como algo líquido que vai se expandindo mais e mais verticalmente ou em profundidade durante a prática em si, e horizontalmente durante o resto do dia... algo ou uma sensação de espalhamento... como se estivéssemos pingando gotas de tinta de azul de Prússia em água translúcida... a cor expandindo-se vertical e horizontalmente nessa água...
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Observações fenomenológicas sobre nossa própria prática de MT. À medida que continuamos nossa prática de Meditação Transcendental, sentimos como se estivéssemos alargando (muito) gradativamente um recipiente de água para que este possa conter mais e mais dessa 'água meditativa'... é apenas uma sensação, difícil de colocar em palavras mas mais facilmente expressa em imagens... talvez Gaston Bachelard fosse a pessoa adequada para este tipo de tarefa (a de colocar isso em palavras-imagens)...
Água... Isso nos lembra um dos baixos-relevos na entrada principal de Notre-Dame... Aquele que versa sobre as 'águas superiores' às quais o Gênesis se refere, uma figura feminina com uma escada pousada sobre si e com sua cabeça meio-imersa nas 'águas superiores'... Fulcanelli pensou que tratava-se de Alchimia... essa 'água superior' (ao nível do cérebro, ou ao nível dos chakras superiores) lembra-nos sobremaneira nossa prática de TM...
SUGESTÕES DE LEITURA
Peter Russell. The TM technique. London, Elf Rock Productions, 2002. Originalmente publicada em 1976, é a obra clássica sobre o assunto de um ponto de vista científico.
David Lynch. Catching the Big Fish : meditation, consciousness, and creativity. New York, Tarcher/Penguin, 2006. Uma conversa intuitiva e informal sobre o assunto, pelo diretor de cinema D. Lynch. Muito interessante.
Maharishi Mahesh Yogi. Science of Being and Art of Living. Plume/Penguin, 2001. Clássico.
Maharishi Mahesh Yogi. Bhagavad-Gita Chapters 1-6. Arkana/Penguin, 1990. Clássico.
LINK
site do Dr Orme-Johnson. Muito informativo.
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É muito interessante observar a fisiologia da meditação... Mesmo quando a mente está muito inquieta e dispersa, assim que a sessão termina a área cerebral e todo o corpo sentem os efeitos da meditação...
É como se o processo meditativo (em termos fisiológicos) ocorresse independentemente de nossa mente estar ou não sintonizada com ele durante a sessão – é claro, quando a mente mergulha profundamente nele o efeito parece ser muito mais intenso...
Território não mapeado (em termos neurológicos)... esse fenômeno parece validar a analogia Alquímica, pois sugere que há mudança estrutural, de ‘hardware’. Uma Obra (Opus) parece estar ocorrendo.
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Aprofundando nossa prática. Um dos resultados que podemos experimentar é uma sensação persistente de déjà vu... como se pudéssemos sair por alguns momentos fora do tempo e então ver nossas ações sob esse ponto de vista. Esperemos que isto não seja o indício de alguma disfunção neurológica...
P. D. Ouspensky (e Nietzsche também) gostava dessa idéia de Tempo Circular, como se perfizéssemos sempre as mesmas ações por toda a Eternidade, repetindo-as de novo e de novo...
Nietzsche deduziu disso sua noção Estóica de Amor Fati, que nos insta a amar intensamente cada momento e ação pois as repetiremos de qualquer maneira por toda a Eternidade - um gesto de Afirmação da Vida.
Ouspensky, por outro lado, pensava que a verdadeira liberdade só poderia começar quando pudéssemos sair dessa Roda para enfim sermos capazes de modificar conscientemente nossas vidas e ações (que ele considerava inconscientes ou automáticas, seguindo seu mentor Gurdjieff).
Mas então o que é então essa sensação de déjà vu que por vezes experimentamos após atingir um certo nível de prática meditativa ?
Nossa suposição tenderia para uma explicação metafísica ligeiramente diferente, mais em sintonia com o fatalismo islâmico : esse déjà vu pode bem ser um vislumbre de nossas inexoráveis ações durante esta vida, escritas desde o início do Tempo no Livro da Vida...
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Felicidade. A maior e mais duradoura Felicidade consiste em conhecer a Mente através da Meditação... e essa Felicidade então se expande a todas as nossas atividades cotidianas... Isso é algo que você experimentará através de sua prática.
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P : Vejo que você pratica MT. Poderia falar sobre essa prática ? Quais são seus resultados ? Você nunca se cansa dela e quer mudar para algo diferente ? Eu necessito de variedade, então eu troco de meditação.
R : À medida que nossa prática de MT se aprofunda, pouco podemos realmente falar sobre ela - ela apenas é. É um pouco como quando nos aprofundamos no Zazen... parece com um mergulhar para dentro, mais e mais fundo, rumo ao leito marinho... Lembro de um mestre Zen que dizia que quando o Zazen é feito corretamente ele "não é nada de especial"... a MT é similar a isso.
Ao mesmo tempo ela é a experiência mais inacreditável de nosso mundo pessoal. Um ganho de lucidez, talvez ? De Presença ? Um apenas "estar no aqui e agora" ? Tudo isso e nada disso também. Ela apenas é.
A Fenomenologia de Heidegger poderia nos ajudar aqui, talvez... A MT parece nos aproximar do Ser/Deus/Absoluto, do Grund da Existência. O aroma do Ser enquanto Apeiron, o Ilimitado, de onde nos originamos e para onde rumamos (como diria Anaximandro). Usando as imagens do Panteão Hinduísta, poderíamos dizer que ela nos aproxima dos três aspectos do Ser : o Criador, o Sustentador e o Destruidor...
Portanto, nesse nível, não há variedade. Não negamos nossa necessidade de variedade, mas ao menos para nós obtemos suficiente variedade no mundo relativo (tempo/espaço, sentidos, ideação, etc) - não parece haver variedade nesse nível específico... talvez apenas no sentido de um "aproximar-se ou distanciar-se" da atenção/presença do Ser.
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O dedo e a Lua. Parafraseando Hui Neng, o Sexto Patriarca do Zen, não olhe o dedo que aponta para a Lua - olhe para a própria Lua... isto é, não confunda os mapas discursivos e verbais com o território real... como é difícil falar sobre a Meditação - acabamos tendo que traduzir uma atividade holística em uma algaravia mental típica do hemisfério cerebral esquerdo, faute de mieux... Portanto, meu conselho final é : aventure-se na atividade concreta de que estamos falando.
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As Raízes da Realidade. Num certo nível de nossa prática meditativa descobrimos que podemos brincar com qualquer emoção, voluntariamente. Assim que decidimos sentir x ou y, nosso corpo responde imediatamente a isso. Podemos tentar raiva, pesar, alegria, poder, falta de poder, ou qualquer outra emoção. Podemos então realmente sentir o corpo ‘atuar’ essas emoções em si mesmo...
Isso nos faz pensar sobre como criamos nossa realidade subjetiva (e objetiva)...
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Novo
À medida que me aprofundo mais e mais em minha prática meditativa, o passivo Destino e a ativa Magia parecem desmantelar-se como velhos azulejos de parede sobre um fundo de Pura Luz...
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